Terça-feira, 26 de setembro de 2017
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Sindicato envia nota à imprensa sobre a greve dos bancários

 

11/10/2011

 

Hoje, a greve nacional dos bancários completa 15 dias, sem nenhuma proposta. Em relação ao Banco do Brasil e da Caixa Federal, o governo seguiu a mesma linha dos banqueiros, não negociou questões específicas, limitando-se a propor que concederia o mesmo índice da Fenaban. As pautas de reivindicações foram entregues há mais de um mês aos negociadores.

 

Falta vontade política

O governo Dilma poderia encaminhar o fim das greves, com a apresentação de uma proposta que contemple as reivindicações da categoria. O BRB, o Banco do Pará e o Banrisul apostaram nas negociações específicas e, dois destes três bancos, resolveram rapidamente suas negociações.

 

Essa postura intransigente do governo federal já tinha sido anunciada pela própria presidenta Dilma, quando disse que as estatais não deveriam dar reajustes superiores à inflação em 2011 nem em 2012. E esta postura de conflito vem marcando a negociação também de outras greves, como a dos servidores das universidades federais e a dos Correios. Nesta última greve, além de não negociar, o governo recorreu ao TST e cortou o salário dos grevistas.

 

Não é esse o caminho que queremos para a greve dos bancários. Porém, conforme parte da imprensa divulgou nos últimos dias, incluindo veículos tradicionais como a Folha de S. Paulo e o portal UOL, Dilma teria anunciado que as diretorias do BB e da CEF cortariam o ponto dos grevistas, tal como ocorreu nos Correios.

 

Tal medida, se efetivada, consistiria num ataque inaceitável ao direito de greve e uma atitude intimidadora e truculenta contra uma categoria que não recebeu uma proposta sequer desde que iniciou sua paralisação. O tempo das ameaças e desrespeito contra o livre direito de greve deveriam ter ficado para trás, nas eras Collor e FHC. Não podemos aceitar que tal prática volte a pautar a resolução dos dissídios coletivos no atual governo.

 

Diante da realidade já aplicada em outras categorias e da ameaça de corte de ponto dos bancários de instituições públicas federais, nós defendemos uma forte reação do movimento grevista e sindical, começando com a aprovação de moções, além de manifestações em todos os estados pelo legítimo direito de greve e pela abertura imediata de negociações por parte do governo federal e da Fenaban.

 

Por fim, propomos que as centrais sindicais e confederações que atuam e representam a categoria construam, unitariamente, um ato nacional em Brasília para rechaçar essas ameaças e exigir a negociação com as diretorias do BB, CEF, BNB e BASA.

 

Sem negociação, bancários irão fortalecer a greve!

Enquanto há impasse nas negociações, os negociadores do BB dizem estar atuando "para alcançar uma solução nas negociações da Fenaban", mas sequer estiveram presentes na reunião na última quarta-feira. Afirmam sua disposição em negociar "com a firme intenção de fechar o Acordo Coletivo". Ao mesmo tempo ameaçam punir os trabalhadores com desconto dos dias de greve e solicitam interditos proibitórios na justiça para tentar inibir o movimento grevista.

 

É um escândalo que uma presidente eleita por um partido que se construiu nas grandes greves da década de 80, adote hoje uma postura de tamanha truculência querendo punir os trabalhadores em greve. A greve é um direito e apenas recorremos a ela pela intransigência do governo em atender nossas reivindicações. Eles são os responsáveis por esta situação. Portanto não cabe nenhum tipo de punição aos trabalhadores que estão reivindicando seus direitos.

 

Quando é para fazer propaganda de sua política econômica, Dilma afirma que o Brasil está preparado para enfrentar a crise. Ela chegou a oferecer ajuda à União Européia para enfrentar a crise econômica mundial. Mas o discurso muda quando é para falar das reivindicações dos trabalhadores.

 

Os bancários continuarão a lutar  por um aumento decente e pela retomada de direitos neste ano, pois a chantagem sobre o cenário de crise econômica tende a ser ainda mais forte na Campanha de 2012.

 

Em um cenário de greve se ampliando a cada dia, as direções de diferentes bancos buscam solucionar o impasse nas negociações gerais, apresentando propostas em separado para seus funcionários.

 

O Banrisul é mais um banco a seguir esse caminho reconhecendo a força do movimento. Entre outros itens a proposta do Banrisul prevê reajuste de 12% para o piso salarial e reajuste na gratificação de caixa de 17,87%. Essas propostas apresentadas por fora da Mesa Única definem parâmetros importantes para nossa greve. A elevação do piso no BRB para um valor acima do pago no BB e a reconquista da licença-prêmio no Banpará não podem ser ignorados nas nossas negociações.

 

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) fazem um chamado a todos os que ainda não aderiram ao movimento, que o façam nesta semana. Apenas com a ampliação do número de funcionários fora do ponto poderemos forçar o Banco a apresentar uma proposta que atenda aos nossos interesses.

 

Neste ano, a greve é a mais forte já realizada pelo setor de Alta Renda do Banco, com cerca de 30% de adesão, incluindo um número crescente de gerentes. É preciso avançar ainda mais. Esse é o momento de fazer o banco reconhecer o trabalho dos bancários e o incrível volume de negócios realizado por esses trabalhadores ao longo do ano, gerando um lucro bilionário.  A participação do maior número de bancários em greve é fundamental para que a vitória seja alcançada.

 

Assembleias

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas orienta os bancários para que não deem ouvidos a boatos nem aceite ameaças. Procure sempre um diretor do Sindicato e participe das assembleias, que acontecem diariamente às 16 horas.

 

Bauru, 11 de outubro de 2011

 

SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE BAURU E REGIÃO/CONLUTAS

 


Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região
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